O Carapuceiro
September 9, 2009 às 5:37
por: Andrezza | arquivado em: livros, resenhas

O Xico Sá é um escritor cearense quarentão que só perde pro Chico Buarque no sentido do entender as mulheres. Já tinha virado um dos meus escritores preferidos apenas pelo conteúdo de seu blog, no qual soltou pensamentos célebres como “homem que é homem tem que comer mulher feia, porque mulher bonita até veado comeâ€, “amor, se é amor, não se acaba de forma civilizadaâ€, “homem que é homem não sabe a diferença entre estria e celuliteâ€, “homem que é homem chora em público, aos soluços, seja qual for o motivo, chora pela circunstância e chora pelo conjunto da obra, porque o choro de um homem nunca é um choro isolado, homem chora a dureza represada de ser homem, e triste dos homens que não choram nunca”, “a inveja da humanidade é desse pequeno chuveiro que faz misérias†e etc. Ele tem nove livros publicados, e escreve pra vários jornais, tendo inclusive uma coluna sobre futebol na Folha de São Paulo.

Um livro dele que li e indico é o “Modos de Macho & Modinhas de Fêmea – A Educação Sentimental do Homemâ€. Nele, Xico analisa os mundos dos dois sexos, e sua relação, em especial sob a perspectiva masculina. Fala sobre detalhes cotidianos da vida a dois, orgasmos, culinária, chifre, bunda, dedadas, viadagem, hábitos esquecidos, usando uma linguagem cheia de referências e abusando do vocabulário nordestino, sempre com um gosto de moda antiga. Engraçado, romântico, sincero, sexual, o livro resume bem o estilo do Xico Sá. O cara manja tanto das mulheres, sabe tão bem o que a gente quer, tem um ar do homem que ele mesmo diz ser o que toda mulher busca: uma mistura de lenhador e homem sensível, que acaba se tornando irresistível. Me liga, Xico!

Pra vocês poderem dar uma avaliada, vou mostrar dois textos de autoria dele:

FARELOS DO DISCURSO DOCE E AMOROSO

Não, baby, até o cara que acabou de cortar o dedo no balcão do bar aqui da Augusta, sabe, não sou um cara violento, até o cavaleiro errante que passou no seu pangaré urbano e branco, sabe, não dou tiros para cima quando estou ao teu lado, existe apenas algo patético na minha loucura que pretendo trocar pelos teus lindos olhos e que o troco deixes de inventário para o nosso amor louco, não, não quero sabotar o ensaio de amor, quero apenas cantar refrões sofridos no show do Wander, quero ser um cara legal, te ver trocando de roupas, agoniada com a escolha da blusa, embora nos membros inferiores te baste um jeans com bom caimento e umas havaianas, além da dúvida meteorológica, porque ainda não sabes que te esfrio e te esquento conforme diz a moça do tempo, quero ser um cara legal, esquisito, religioso, que te mira o tempo inteiro e tem a ciência de que não há sequer meio defeito em cima do teu corpo que tanto amo, não, corazón babilônico, embora meu olhar para ti seja um olhar de criminoso, vim apenas fazer um alegre piquenique em tua vida e deixar farelos do nosso doce na grama para a alegria das formigas.

LIBELO CONTRA A EXTINÇÃO DAS DENTUCINHAS

Denúncia urgente: estão acabando com as dentuncinhas. Sim, não é de hoje, faz tempo, mas agora beiramos realmente a extinção da espécie. Essa moda de encher de arames os dentes das moças. Essa modinha de desentortar os lindos dentinhos das raparigas em flor ainda cheirando a leite. Sim, os mancebos também são vítimas da ortodentia moderna, mas os moços, pobres moços, que se virem, que se defendam. Este panfleto lírico e sentimental se preocupa tão-somente com as meninas, como um tardio e lesado Lewis Carroll sertanejo.

No início do modismo, era mania apenas dos mais aquinhoados; depois alastrou-se de vez, como as cirurgias plásticas. Estão acabando com o charme das dentucinhas. Toda sala de aula tinha sua dentucinha, toda repartição, toda rua, todo bairro, todo clube, todo cabaré, toda casa de tolerância que se prezasse…

Já já eliminam de vez o charme das estrias, e todas as mulheres ficam iguais, bundas iguais, peitos do mesmo tamanho, lábios de branquinhas com recheios artificiais para imitar a lindeza da mestiçagem… Reparem os cabelos, por exemplo, onde andam os caracóis, os cachos, os black-powers? Está tudo dominado, tudo esticado, a chapinha, modinha que nasceu em pleno apagão da energia elétrica, veio para ficar de vez, para sempre, fudeus. Já já escrevem na bandeira nacional: ordem e escova progressiva!

Mas o que está em jogo agora, camaradas, é o fim das dentucinhas. Uma lástima, uma tragédia dos nossos dias. Vocês lembram como eram especiais os beijos das dentucinhas? E os dengos orais das dentucinhas? Céus, o nirvana com direito a uma sinfonia de Iggy Pop com Goran Bregovic!

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Massa, né? Vale a pena dar uma fuçada no blog dele, há mais dessas coisas que você acharia que ninguém conseguiria pôr em palavras.


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Elas também amam
August 17, 2009 às 21:29
por: Fator46 | arquivado em: resenhas, tv

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Eu estava distraída perambulando pelos canais de televisão, quando me deparei com a chamada de uma série nova do canal People&Arts, “Army Wives”. Resolvi assistir o primeiro episódio e viciei.

A série é baseada no livro “Under the Sabers: The Unwritten Code of Army Wives”, escrito por Tanya Biank cujo enredo principal é o passar dos dias de oficiais e, principalmente, suas esposas.

Army Wives tem com cenário a fictícia base militar Fort Marshall em Charleston, Carolina do Sul. É aí que desenrola a história de quatro mulheres de oficiais do exército e – pasmem – um marido também no meio de tanto progesterona. A série pode parecer mulherzinha demais, monótona demais, mas a cada episódio, você se encontra em um clímax mais envolvente que o outro. É simplesmente viciante.

A série conta com diferentes realidades: Denise Joy Holden, a diva da base, mulher do Coronel Holden, é aquela que está sempre presente para ajudar as outras. Denise Sherwood, a fofa das quatro, submissa ao marido e traz um segredo consigo. Roxy LeBlanc, a engraçada, recém-casada que se vê perdida nesse mundo de hierarquias e regras, sempre pagando mico coitada (ah, e ninfomaníaca). Pamela Moran, a neutra (pra mim), sofre para criar seus dois filhos sozinha pois o marido nunca está presente. E por fim, mas não menos importante, Roland Burton, o macho da tribo, se vê preso na imagem da sua mulher, a vice-comandante da base.

Por incrível que pareça, Army Wives traz para a consciência um quê de maturidade. Mortes, drama, romance, mistérios, inveja são alguns dos ingredientes que fazem desta, a série mais popular do canal Lifetime.

Para quem se interessar, ainda dá tempo de acompanhar. A série está na sua 3ª temporada na televisão americana e acabou de estrear no já mencionado canal, People&Arts, toda terça-feira, às 22:00.

Se você não tem paciência de assistir semanalmente (como eu), pode encontrar os episódios legendados para download na comunidade da série no orkut aqui




Daughtry – Leave this Town
July 31, 2009 às 13:44
por: Fator46 | arquivado em: música, resenhas

Daughtry, pra quem não sabe, é uma banda americana que tem como líder Chris Daughtry, concorrente do American Idol. Feliz ou infelizmente Chris não levou a competição naquele ano, mas logo depois montou sua própria banda, pela 19 Entertainment.

Ok, introduções á parte, vamos ao motivo desse post: o segundo disco da banda, “Leave this Town”.

Confesso que apesar de gostar da voz de Chris desde a época do AI, o primeiro CD deles nunca foi um dos meus preferidos, o que me deixou meio relutante em baixar o segundo. Mas, como todo mundo tem aquele amigo que quer te provar por A+B que o gosto músical dele é melhor que o seu, fui convencida a baixar o CD, e digo: não me arrependi.

Dá pra ver claramente que a banda evoluiu de 2006 pra cá, e as músicas contém uma melodia melhor, letras melhores e arranjos bem feitos.

A lista de músicas é:

01. You Don’t Belong
02. No Surprise
03. Every Time You Turn Around
04. Life After You
05. What I Meant To Say
06. Open Up Your Eyes (MISSING)
07. September
08. Ghost Of Me
09. Learn My Lesson
10. Supernatural
11. Tennessee Line
12. Call Your Name

Eu sei que opinião é muito pessoal, mas mesmo assim: recomendo “No Surprise”, “Life After You” e “What I Meant to Say”





A Vez do Príncipe
July 15, 2009 às 23:53
por: Fator46 | arquivado em: cinema, livros, resenhas

Mais uma adaptação de livro chega ao cinema, e dessa vez, a sexta parte de uma das sagas mais famosas, Harry Potter e o Enigma do Príncipe. Depois do filme ser adiado por mais de 6 meses, finalmente chegou a hora. Eu sou fã de Harry Potter desde antes do lançamento do primeiro filme, quando eu saía com o livro e as pessoas me perguntavam do que se tratava a história. Então desde a Pedra Filosofal tem aquela expectativa se o filme será fiel ao livro, quais partes serão cortadas, quem são os atores escalados etc. E como todos os outros 5 filmes, eu fui matar a curiosidade logo na estréia. Tentei me desligar do livro e curtir o filme, mas tem momentos que não foi possível.

Senti que o filme demorou um pouco a “engrenarâ€. Chegou uma hora que eu realmente me perguntei “Tá, mas quando o filme começa DE VERDADE?†Mas depois de um tempinho começou a ficar interessante. Em alguns momentos me lembrou os 2 primeiros filmes, que foram os mais fiéis aos livros. Algumas cenas foram bem fiéis, eu até acertava a próxima fala dos atores. Outras cenas que não estavam no livro foram acrescentadas, e não minha opinião, se encaixaram bem e deram até uma animada no filme. Achei legal ver o Quadribol finalmente de volta, senti muita falta no anterior. Muitas cenas foram cortadas, claro, mas as que mais me decepcionaram, e que eu estava contando muito que estivessem no filme, (não vou entrar em detalhes para quem não leu/viu) é uma cena entre Harry e Gina na sala da Grifinória; e uma das cenas finais em Hogwarts.

O Rupert Grint (Rony) pra mim foi um dos melhores do filme, a maior parte das cenas que eu ri incluíram ele, ele realmente tem um dom pra comédia. E o Tom Felton (Malfoy) finalmente teve destaque, depois de ter sido quase esquecido nos dois últimos filmes, o Draco finalmente se destacou nesse e espero que também se destaque no último. Mas por outro lado, muitos atores foram quase esquecidos ou nem apareceram. Uma pena.

Eu realmente senti que o filme foi bem devagar, não teve grandes cenas como o anterior, mas foi um dos mais fiéis ao livro. Em comparação aos outros 5, pra mim é o segundo melhor. Foi melhor que o 5º, Ordem da Fênix, e infinitamente melhor que o Prisioneiro de Azkaban, que pra mim é o mais fraco de todos. Mas o meu preferido absoluto segue sendo Cálice de Fogo, imbatível. Resta agora esperar pela última parte da saga, é meu livro preferido então estou ansiosa desde já. Como será dividido em dois filmes, acredito que os cortes serão bem menores. Mas o que ficou no fim de Enigma foi a sensação de que faltou alguma coisa… e acredito que a maioria das pessoas na sala também teve essa mesma sensação; quando os créditos começaram a aparecer, ouvi muita gente ao redor se perguntar “É só isso?â€. Espero que Relíquias da Morte acabe com essa sensação. Nota 8,5 pra Enigma do Príncipe. Dá uma espiada.




Aqui priorizamos o que é bom!
June 26, 2009 às 23:23
por: Fator46 | arquivado em: cinema, resenhas

O longa é Jean Charles, dirigido por Henrique Goldman, e tem Selton Mello no papel principal.

O filme narra a história de Jean Charles de Menezes, o mineiro morto com sete tiros na cabeça pela polícia britânica em 2005, na estação de metrô de Stockwell, no sul de Londres.

Pouco se sabe sobre o Jean Charles, afinal, o rapaz só ficou conhecido graças a tragédia. E é esse lado que o filme retrata, o lado desconhecido. Mas o que notei, foi uma tentativa de “mitificação” do cara. Sabe aquilo que os livros de história fizeram com o bom e velho Tiradentes?? O “nosso” Cristo? Então, mais ou menos isso.

As cenas são apelativas demais! O rapaz era o bom, fodão, que passou a perna no chefe, mas ajudava todo mundo! ¬¬’ Sem contar nos momentos finais, quando uma músiquinha tirada do “Clássicos dos infernos” começa a tocar sem parar!!

E nem venham me dizer que “o filme é bom porque retrata em partes a realidade dos imigrantes em Londres…”. É por isso que ele é bom?? Sinceramente? Prefiro assistir um filme por causa da sua qualidade cinematográfica e/ou literária.

O cinema brasileiro tem sido uma vergonha [pra não dizer merda] hoje. Só tem realismos que se mistura com o políticamente correto, e agora, sexualidade, cor de pele [...] não tem conteúdo! Produzem medíocridades, fazem badalações na mídia, “compram” o público e acham que isso é fazer cinema??? Colocam um ator global, vários tiros, palavrões, e acham que está ótimo??
Quando queremos fazer música, qual o primeiro passo?? Ouvir música! Querendo escrever poemas?? Ler livros!!
Se quer fazer cinema, vai ao cinema, veja filmes que já foram feitos e aprenda o que é cinema! Nesses casos, o conhecimento técnico não é suficiente.

É uma pena, por que o cinema brasileiro podia ser muito melhor se não fosse tamanha apelação.

E isso é só uma questão de opinião…