IndescritÃvel. Essa é a palavra. Não tem mesmo como descrever a noite de sábado na Arena Anhembi. E acredito que as outras milhares de pessoas que também estavam lá, acham o mesmo. O Oasis volta a São Paulo depois de 3 anos, dessa vez para um publico maior, para apresentar a turnê do álbum Dig Out Your Soul. E eu estava lá, pra ver minha banda preferida, de novo. E vou TENTAR contar um pouco de como foi.
Cheguei no Anhembi no começo da tarde, a fila já estava considerável, fiz amizades por lá mesmo e com a maior cara de pau do mundo, furamos quase a fila toda (vale tudo pra ficar mais perto). Em pouco tempo, deu pra sentir a devoção das pessoas, tinha gente do Rio, de Minas, do Paraná, só por eles. Os portões abriram cedo, mais de 4 horas antes do show, e conseguimos ficar pertinho da grade, pena que havia uma Pista VIP na frente.
Ok, 3 horas de espera, muitos empurrões, alguns estresses e muita dor na perna depois, o Cachorro Grande sobe ao palco pra abrir o show. Confesso que só conheço as musicas mais famosas deles mesmo, e apesar da falha técnica que fez com que não ouvÃssemos uma musica inteira, o show foi ótimo. E o melhor de tudo, dava pra sentir que eles estavam honrados de verdade por estarem abrindo o show do Oasis.

Mais meia hora de espera, o Oasis sobe ao palco exatamente às 10 da noite, com a pontualidade britânica que não poderia faltar. E eles já chegam com tudo, tocando o antigo hit Rock’n’Roll Star. Como sempre, o Liam faz o gesto clássico de colocar a meia-lua na boca, como se estivesse abrindo um enorme sorriso. No refrão, eu já estava cansada de tanto pular, e logo em seguida vem Lyla, Shock of Lightning, do cd novo, seguida por uma clássica, Cigarrettes & Alcohol. Nos intervalos das músicas, o publico gritava pro Liam, pro Noel, ou simplesmente, pro Oasis. Depois de Meaning of Soul, vieram 2 novas, To Be Where There’s Life e Waiting for the Rapture. Nessas 2 últimas, o publico não cantou tanto por serem músicas novas, mas em seguida veio o Masterplan do Noel, que reanimou todo mundo. E dá-lhe coro de “NOEL!†no final. Em seguida, mais clássicos, Songbird, Slide Away, e Morning Glory, que foi quando veio a cagada.
Tudo estava indo bem quando um “inteligente†resolve tacar uma tampinha de garrafa justamente no Liam, antes do começo da musica. Bad idea. Ele ficou puto, e no fim da musica o Noel disse que se continuassem, eles iria embora. E nós sabemos que eles iriam MESMO. Confusão passada, segue Ain’t Got Nothing e uma aguardada The Importance of Being Idle, que foi muito foda, todo mundo cantou com mais ovações ao Noel. Depois veio, na minha opinião, a melhor da noite do cd novo, I’m Outta Time, com o Liam, que apesar de ser mais lenta, conseguiu animar e surpreender. E aà veio a hora mais esperada para os, digamos assim, “fãs menos conhecedores das músicasâ€, Wonderwall. Todo mundo cantando, meninas subindo nos ombros dos caras, é o maior hit do Oasis, não tem jeito. E em seguida, o primeiro (e um dos melhores) hit, Supersonic, a que seria “teoricamente†a última do show, porque todos sabÃamos que teria um retorno. E essa era a parte que eu estava aguardando.
O Noel volta sozinho com um violão, pra tocar Don’t Look Back in Anger. Não é por ser minha musica preferida, mas pra mim foi o ponto alto. Como não podia deixar de ser, na hora do refrão, o Noel faz um gesto pra platéia como quem dá passagem, como se dissesse “agora é com vocês.†E nós não decepcionamos. Se tinham mesmo 25 mil pessoas lá, 30 mil cantaram com as mãos pro alto. E claro que eu chorei, muito. Afinal, não é todo dia que você vê a sua banda preferida cantando a musica que você mais gosta ao vivo.

Emoção passada, vem Falling Down, e em seguida mais um clássico cantado por todos, Champagne Supernova, que o Liam dedicou a nós, que estávamos atrás. Thank You, Liam! E pra terminar brilhantemente, I am the Walrus, dos Beatles. O Liam sai do palco com um aceno rápido, e o Noel agradece ao publico com palmas. E se em 2006 eles tocaram Supersonic só no show de São Paulo porque nós pedimos, dessa vez nem adiantou pedir Live Forever, além de eles não tocarem, o Noel não perdeu tempo: “Nós escolhemos o que tocar, e vocês ouvem.†Ok, então. Mas apesar dos foras, o show foi perfeito.
E o Noel estava certo. Toda vez que eles tocam em São Paulo, chove. Eu achava impossÃvel que acontecesse de novo, mas ela veio. E se da outra vez, a chuva veio junto com o show, dessa vez ela chegou antes, pra refrescar todo mundo, e parou quando o Oasis subiu ao palco. E no meio do show, as nuvens abriram e revelaram uma lua cheia. Mais lindo, impossÃvel.
E o que resta, além das dores pelo corpo e a depressão no dia seguinte, é aquela sensação de “já posso morrer felizâ€. São poucas coisas que nos fazem sentir assim, e assistir a mais um show da sua banda preferida é uma delas. Eu só me recuso a dizer se esse show foi melhor que o de 2006, é como escolher um filho preferido. Resta também esperar o próximo, e quem sabe ele vem com chuva também?
Ah, não posso deixar de citar meus 3 companheiros de show, furamos e sofremos juntos, Jé, Will e Aline, Sisao pra nós!!



