Abril Pro Rock 2009
April 23, 2009 às 9:16
por: Andrezza | arquivado em: eventos, música, resenhas

Dei um pulo em Recife pra ver o Abril Pro Rock desse ano, no segundo dia de sua programação. Cheguei meio atrasada e perdi as primeiras bandas, mas tudo bem. Vou comentar sobre as que vi. Ah, e olha que tristeza: perdi essa pagação de peito que rolou no show do Candeias Rock City, hahaha! Afinal isso aqui é um show de rock, não é Sandy e Jr não

A primeira banda que eu vi foi a baiana Retrofoguetes, que é toda instrumental e lembra muito as trilhas dos filmes do Tarantino. Achei legal, mas é banda pra se ouvir três vezes e pedir pra parar, repetitiva demais. Logo após, entrou em cena a atração internacional da noite: os norte-americanos do Heavy Trash. Era clara a influência dos anos 50 e do clima rockabilly na banda, presente desde o cabelo topetudo do vocalista, até o baixo acústico (um charme, convenhamos!) que chamava atenção no canto do palco. O vocalista Jon Spencer, apesar do sotaque estranho, tinha muita presença de palco, e fez muita gente dançar iê-iê-iê no Chevrolet Hall.

Depois começou o show do Volver e eu percebi como esse lance de os pernambucanos valorizarem muito o que vem de lá é verdade. A banda tinha uma legião de fãs à sua espera, e fez um ótimo e animado show. É uma banda indie, de formação básica e vocalista carismático. Não fui a única que não conhecia a banda mas simpatizou com ela logo de cara, muita gente compartilhou dessa opinião; dancei o show todo e baixei disco da banda assim que cheguei em casa. Não é nada de diferente, você com certeza já ouviu algo parecido antes, mas é legal de se ouvir, achei digno. Ah, e poderia muito bem ensinar à farsa que é o Moptop como se faz pra ter muita influência de Strokes sem ser praticamente um cover.

Acaba Volver, a galera corre pro palco do Vanguart. A banda que veio de Cuiabá e é a mais aclamada nos últimos anos do circuito independente brasileiro fez um show bom, com repertório conhecido e sem grandes firulas. Pra quem não conhece, a banda é folk. Pegue um violão, uma gaita e um bucolismo, que você tem o folk, that’s it. Eu acho Vanguart chato, pra falar a verdade, mas percebi que a galera saiu satisfeita do show. Ah, e o Hélio Flanders pode ser baixinho e ter uma pinta estranha… mas dá um caldo, viu. Prontofaleimermo.

Depois do Vanguart, amigos, a noite começou. MÓVEIS COLONIAIS DE ACAJU, QUE SHOW! Sou fã da banda, mas não sei nem por onde começar a explicar de que se trata. É uma big band que veio de Brasília, diferente de tudo o que você já ouviu, formada por um vocalista hiperativo e uma orquestra com direito a tudo: flauta, trombone, saxofone, teclado, gaita, guitarra, bateria… é uma mistura de rock com ska e letras estranhas e bem humoradas. Eles são conhecidos pelos shows animados, e não deixaram a desejar no Abril. Foi o show preferido da maioria das pessoas, e o meu também. O palco tava lindo, os caras tavam animadíssimos, a galera com sede pela banda… saca só:

Velho, acho animal banda que se dedica ao pacote completo. Em cada parte do show do Móveis você notava isso, desde o cenário até a chuva de papel, passando pelas coreografias da banda e a maneira como interagiam com a platéia. Pena que tocaram muita coisa do disco novo, que ainda nem lançado foi, o que nunca é tão legal quanto uma banda tocando seus clássicos, mas a galera já sabia as letras e até quem não conhecia a banda se animou muito. FODA, cara. Deixei aí o link pra baixar o disco deles, quem deixar passar é bobinho.

Depois do Móveis veio o Mundo Livre S/A, a maior representante do manguebeat depois da Nação Zumbi. Se você não sabe o que é manguebeat, foda-se, me recuso a explicar isso. A maioria da galera tava cansadona por causa do show do Móveis… eu mesma passei o show do Mundo Livre quase todo bebendo água, me abanando e descansando os pés. Mas o tanto que ouvi achei massa, já tinha uma simpatia pela banda. Gosto da mistura de samba com toques eletrônicos, e acho o sotaque pernambucano uma graça quando cantado.

Aí finalmente chegamos à atração principal da noite: Marcelo Camelo. Eu sou muito fã de Los Hermanos, mas não pirei muuuuito no disco solo dele, o Sou, que é meio MPB-intimista-experimental e tem a banda Hurtmold como acompanhante do cara. O Camelo subiu no palco e se sentou com seu violão… e assim foi o show quase todo. O cara tava numa lombra louca, chapado, e acabou ficando frio, com cara de quem não queria estar ali. TODOS comentavam isso durante o show, tava um lance desconfortável. O cara é a atração principal, faz todo mundo esperar o festival inteiro, juntar grana pra ver seu show, o caralho a quatro, e faz isso? Decepção. O cara passou cinco minutos sentado no chão, com a guitarra na frente da caixa de som, fazendo porra nenhuma, numa viagem dele com ele mesmo. E todo mundo lá, com cara de bunda, esperando mais. O show foi meia-boca, mas minhas expectativas não estavam altas mesmo… só sei que Camelo não se esforça pra fazer o Amarante deixar de ser meu preferido, hahaha. Ah, mas pelo menos ele tocou três músicas de Los Hermanos. Quase desabei com Pois é.

Ahm, e assim foi. Ano que vem certamente vou de novo, gostei muito do festival. E você, qual o último show que viu?

*crédito das fotos: http://www.flickr.com/photos/andrenery