Quando eu era criança, eu ficava durante a semana de dia na casa da minha vó porque meus pais trabalhavam. E como não tinha crianças pra brincar durante à tarde, minha vó resolveu arrumar um cachorro. Primeiro, veio um enorme, bravo, que não dava nem pra chegar perto e tinha que ficar trancado. Durou 2 dias. E então a vizinha nos deu uma coisinha pequena, pretinha, vira-lata e que batizamos de Sofia. Eu lembro que tinha uns 7,8 anos. Nós passávamos as tardes correndo pelo quintal, passeando na rua, e quando minha vó não estava, dentro de casa também, vendo televisão, ela adorava. Ela não parava quieta, mordia tudo que via, inclusive as bordas do pratinho de comida, os pregadores de roupa que ficavam pelo chão, jornais, os chinelos. Nós pensamos em colocar uma cortina na casinha dela, mas não duraria 1 dia.
Eu lembro de um dia que eu estava sentada no chão do quintal dos fundos vendo minha vó lavar roupa, e ela não gostava que a Sofia subisse no meu colo, e a Sofia sabia. Então, quando minha vó virava de costas pra mim, ela corria e subia no meu colo. Quando a Sofia via que ela ia virar, ela pulava e corria pra casinha. Eu lembro que ela fez isso umas 10 vezes, e eu ria muito. E ela foi crescendo (não muito) e ficando mais sapeca. E eu ia gostando cada vez mais dela e ela de mim.
E aÃ, quando eu tinha uns 9 anos, depois que meu vô se foi, minha vó resolveu se mudar pro meu prédio. E a mudança não incluÃa a Sofia. Nós tivemos que devolver pra vizinha, o que até foi bom, porque ela ainda era dona da irmãzinha da Sofia, as 2 iriam ficar juntinhas de novo. Mas não foi fácil.
Eu nunca mais vi a Sofia. Bem provavelmente ela nem existe mais, afinal já passaram uns 12 anos. Tudo que eu tenho dela é uma foto nossa de quando ela era bem novinha ainda, que fica no meu mural. Minha vó teve uns gatos também antes dela, eu até me divertia com eles, a gente brincava de esconde-esconde no corredor, tinha um quarto em cada ponta e a gente ia correndo de um pro outro. Mas eu lembro pouco deles, não lembro os nomes. Mas eu lembro sempre da Sofia. E sempre vou lembrar daquela tarde que ela vinha correndo e sentava no meu colo quando minha vó virava de costas. Vou lembrar sempre da carinha de sapeca dela, de quem achava que tinha feito uma descoberta incrÃvel. Eu nunca mais tive outro cachorro, por eu morar em apartamento, meus pais nunca deixaram. Mas eu sempre vou lembrar dela, e tenho certeza que ela ainda lembra de mim.
Essa história foi especiamente pra Rê e pra Mel, gatam, o que seja que aconteça, vai ser o melhor, pode ter certeza. I love you viu?



